Durante: Alimentação

gravida_pesoNUTRIÇÃO ADEQUADA DURANTE A GESTAÇÃO

Antigamente a gestação era vista como um estado de doença e não como estado de saúde modificado. Essa distorção de ponto vista sobre o período gestacional gerou uma série de condutas como, a gestante ter que ficar em repouso absoluto ou comer por dois, que depois de vários estudos tornaram-se equivocadas.
A área da nutrição, provavelmente, é a que gera mais dúvidas, tanto durante a gestação quanto após o parto. Para a gestante saber como se alimentar de forma adequada é importante entender alguns aspectos fisiológicos que ocorrem durante o período de gestação.

ASPECTOS FÍSIOLOGICOS DURANTE A GESTAÇÃO
A gestação é um período constituído de 40 semanas. O primeiro trimestre é caracterizado por grandes modificações devido a intensa divisão celular que ocorre nessa fase. A saúde do feto vai depender da condição nutricional pré-gestacional da mãe, não somente quanto a suas reservas energéticas, mas também quanto às de vitaminas e minerais. Nesse período a mulher, por sua nova fase hormonal, sofre manifestações de enjôos e vômitos que a submetem à privação alimentar, mas que não acarretam prejuízos para o feto. Uma redução de peso de até 3 kg, dependendo do peso pré-gestacional, é aceitável.

Nos segundo e terceiro trimestre as condições ambientais vão exercer influência direta no estado nutricional do feto. O ganho de peso adequado, a ingestão de nutrientes, o fator emocional e o estilo de vida serão determinantes para o crescimento e desenvolvimento normal do feto. São 28 semanas, um período relativamente curto pela importância que assume quanto as condições de mortalidade materna e fetal. Por esse motivo a disciplina materna, relacionada com seus hábitos de vida e a qualidade da assistência pré-natal, vai ser responsável pelas conseqüências imediatas e futuras, tanto para mãe quanto para criança.

GANHO DE PESO DURANTE A GESTAÇÃO
Muitas mulheres têm grande receio das modificações corporais durante a gestação enquanto outras aproveitam esse período para comer sem culpa. Para quem deseja engravidar é importante aceitar essas modificações com maturidade e ter disciplina.

O ganho de peso durante a gestação está relacionado com os seguintes elementos: peso do feto (3kg), membranas fetais e liquido amniótico (2,5kg), aumento das mamas (1,5kg) edema e aumento dos líquidos corporais (2 a 3kg) e deposito de gordura da mulher (1kg).

No primeiro trimestre o ganho de peso da mulher não em muito relevante, podendo ocorrer até perda de peso, como citado anteriormente. A partir do segundo e terceiro trimestre o ganho de peso adequado vai depender do peso pré- gestacional da mulher. Abaixo segue uma tabela de ganho de peso de acordo com o Índice de Massa Corporal pré-gestacional.
IMC= Peso/Altura²

IMC PRÉ-GESTACIONAL GANHO DE PESO TOTAL (KG)
< 19,8 (baixo peso) 12,5 a 18
19,8 a 26 (eutrofia) 11,5 a 16
26,1 a 29 (sobrepeso) 7 a 11,5
29 (obesidade) 7 a 9,1

Mulheres que estão grávidas de gêmeos podem ganhar de 16 a 20kg durante toda a gestação.

CONDUTAS NUTRICIONAIS DURANTE A GESTAÇÃO
Para que o ganho de peso seja saudável e não faltem nutrientes para a mãe nem para o bebê é muito importante ter disciplina no que diz respeito a alimentação. Aquela antiga desculpa de ter que comer por dois ou desejos incontroláveis que podem até causar mal para o bebê caso a mãe não consuma esse determinado alimento são conceitos ultrapassados, mas que interferem na postura nutricional da mãe.

No que diz respeito a calorias pequenos ajustes devem ser feitos. No primeiro trimestre não é necessário aumentar o valor calórico da dieta. Somente a partir do segundo trimestre até o fim da gestação deve ocorrer um aumento de 300 calorias diárias. Por exemplo: se antes de engravidar a mulher tinha um gasto calórico diário de 2000 calorias, durante o primeiro trimestre a recomendação calórica é de 2000 calorias e a partir do segundo trimestre 2300 calorias.

Com relação aos nutrientes, alguns são mais solicitados durante a gestação e vamos falar separadamente de cada um deles:

PROTEÍNAS
Sabe-se que, apesar da grande importância que a proteína tem na nossa alimentação, é muito fácil atingir a recomendação diária desse nutriente.
Para mulheres sedentárias a recomendação diária de proteína é de aproximadamente 1g/kg/peso. Para mulheres que praticam atividade física esse valor sobe para 1,2 a 1,5g/kg/peso. Exemplo: uma mulher que tem o peso pré-gestacional de 60kg e sedentária, necessita de 60g de proteína diárias. Se essa mesma mulher praticasse algum tipo de atividade física esse valor subiria para 72 a 90g de proteínas diárias. Sabendo a necessidade de proteínas para o peso pré-gestacional, acrescentamos 10g de proteínas diárias para suprir a necessidade desse nutriente durante a gestação.
É importante nos atentarmos a qualidade dessa proteína priorizando os alimentos de origem animal e a soja.

CÁLCIO
Durante as 40 semanas gestacionais o feto acumula 30g de cálcio, sendo a maior parte obtida no último trimestre. Para gestantes adultas a recomendação de cálcio é de 1000mg diários e para gestantes adolescentes de 1300mg diários. Ingerindo diariamente de 2 a 3 copos de leite, 2 fatias de queijo e 1 pote de iogurte, é possível atingir essa recomendação.

ÁCIDO FOLICO
A deficiência de ácido fólico (ou folato) prejudica a divisão celular e a formação de proteínas. Durante a gestação pode causar defeito na formação do tubo neural (quando a deficiência ocorre no inicio da gestação) e desenvolvimento de anemia megaloblástica (deficiência de vitamina B12) quando a deficiência ocorre no final da gestação.
A recomendação de acido fólico para mulheres não grávidas é de 400mcg diários e para gestantes de 600mcg diários. Apesar da variedade de alimentos que contém acido fólico, como os vegetais verdes escuros, as leguminosas, frutas cítricas, fígado e leite, é muito difícil atingir essa necessidade somente pela alimentação sendo necessário suplementação desse nutriente, de preferência, antes da mulher engravidar.

FERRO
No ultimo trimestre da gestação ocorre maior demanda de ferro pela gestante para suprir as necessidades do feto, que adquire a maior parte das suas reservas de ferro, que atingem um valor aproximado de 340mg ao nascimento.

A recomendação de ferro para gestante é de 27mg de ferro diários. A Organização Mundial da Saúde recomenda que todas as gestantes recebam suplementação de ferro no ultimo trimestre de gestação como medida preventiva.

Os alimentos que contém ferro de melhor absorção são as carnes e vísceras, enquanto que as leguminosas, legumes e verduras, por serem de baixa absorção, precisam do auxilio de alimentos fonte de vitamina C para serem absorvidos com maior eficiência.

VITAMINA C
A recomendação de vitamina C para gestantes é de 85mg diários, valor facilmente atingido pela alimentação pelo consumo de principalmente frutas cítricas. É necessário que o consumo de alimentos fonte seja diário, pois não fazemos reserva dessa vitamina. A dose máxima tolerada de vitamina C é de 2g diários o que descarta a utilização de suplementos dessa vitamina.

DESCONFORTOS QUE PODEM OCORRER DURANTE A GESTAÇÃO
É muito comum certas situações incomodarem a gestantes. Náuseas, vômitos, azia, prisão de ventre e até mesmo vontade de consumir substância como terra, sabão, tijolo, cinza de cigarro, acontecem com freqüência durante a gestação.

Existe algumas recomendações para amenizar enjôos e vômitos. A gestante deve procurar fazer pequenas refeições com maior freqüência, evitar ingerir líquidos durante as refeições e evitar alimentos ricos em gorduras. As mesmas orientações valem para a gestante que está com azia reforçando o baixo consumo de alimentos ácidos e maior tempo de mastigação dos alimentos.

Com relação a vontade de consumir alimentos “estranhos”, não há grandes justificativas para esse comportamento, sendo uma das hipóteses o alivio de enjôos e vômitos. É importante ressaltar que essa conduta é prejudicial a gestação pois há risco de contaminação por substancias tóxicas e infecções por parasitas intestinais.

REFERENCIA BIBLIOGRÁFICA
- VITOLO, MR. Nutrição da Gestação a Adolescência. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso Editores, 2003.
- MAHAN, LK. Krause: Alimentos, Nutrição & Dietoterapia. 9ª Edição. São Paulo: Rocca, 1998.

Texto elaborado por:
Fernanda Oliveira Giácomo.
Nutricionista. CRN3 13525.
Especialista em Nutrição Esportiva.
Sócia da FR Nutri: Assessoria e Consultoria Nutricional
Proprietária da NUTRIFIT – Produção e Comércio de Alimentos
Nutricionista da FIT Academia Unidades Chapadão e Cambuí

Contato: frnutri@terra.com.br

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