Durante: Células tronco
O que são células-tronco?
O nome células-tronco foi originado da tradução do inglês para “stem-cell”. “Stem” significa caule, haste. O verbo “to stem” por sua vez, significa originar. Células-tronco, assim, têm essa denominação por ser um tronco comum do qual se originam outras células, ou seja, têm a capacidade de regenerar células do sangue e de diversos tipos de tecidos que compõem o corpo humano. Essa versatilidade as tornou o principal tratamento para doenças graves como leucemias e doenças hematológicas e na grande promessa para o tratamento de inúmeras outras como problemas cardíacos, câncer, doenças auto-imunes, disfunções neurológicas, distúrbios hepáticos e renais, traumas na medula espinhal, etc.
As células-tronco são divididas em dois grupos: células-tronco adultas e células-tronco embrionárias.
As células-tronco adultas são encontradas em diferentes tecidos do corpo, principalmente no sangue do cordão umbilical e na medula óssea. Atualmente mais de 75 doenças já são tratáveis a partir do transplante dessas células e centenas de outras aplicações estão em fase de testes clínicos.
As células-tronco embrionárias são encontradas nos embriões nos dias imediatamente posteriores à sua concepção, quando as células são ainda indiferenciadas entre si, envoltas por uma membrana que formará a placenta. Só a partir de uma semana de vida, mais ou menos, é que essas células embrionárias começam a se diferenciar transformando-se em células sanguíneas, cardíacas, cerebrais, musculares e assim por diante. A metamorfose é que permite que um embrião se transforme num feto e, finalmente, numa criança.
As pesquisas, ainda em andamento, indicam que as células embrionárias seriam capazes de diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos. No Brasil, a recente Lei de Biosegurança só permite que sejam usadas para fins científicos e após estarem armazenadas por mais de 3 anos, com o consentimento dos pais.
Células-tronco do sangue do cordão umbilical
O cordão umbilical do bebê, que normalmente é descartado após seu nascimento, é extremamente valioso por ser rico em células-tronco que possuem uma habilidade única de se regenerar e se transformar em qualquer componente do sangue e do sistema imunológico.
Essas células são mais jovens que as da medula óssea e ainda não foram expostas a fatores ambientais – efeitos do tempo e da exposição a vírus, bactérias e ao meio ambiente – que poderiam comprometer sua viabilidade e capacidade de regeneração. Essas condições lhes garantem um poder maior de se diferenciarem e reconstruírem um tecido afetado.
Quando sua utilização é necessária, as células-tronco do sangue do cordão umbilical serão sempre compatíveis com o bebê e estarão imediatamente disponíveis, sem o drama das longas e muitas vezes infrutíferas buscas por um doador compatível e a enorme possibilidade de rejeição. Elas também têm grandes chances de compatibilidade com pais e irmãos e são a esperança da família como alternativa a um transplante de medula óssea.
A coleta do sangue de cordão umbilical é rápida, fácil e indolor quando comparada à coleta da medula óssea, cujo doador após ser localizado, precisa ainda concordar em se submeter à anestesia geral e múltiplas punções da crista ilíaca (bacia).
As células-tronco do sangue do cordão umbilical também podem restaurar o sangue e o sistema imunológico após o tratamento de diversos cânceres, doenças hematológicas e genéticas.
Por quanto tempo as células-tronco do sangue do cordão podem ficar armazenadas?
Até o momento, a mais antiga amostra de células-tronco de sangue do cordão descongelada tinha 15 anos e estava intacta. Outros tipos de células humanas preservadas com sucesso por criogênese mantiveram-se viáveis por mais de 55 anos, inclusive células da medula óssea.
Porém, para que a viabilidade celular seja preservada é necessário que o sangue do cordão umbilical seja processado corretamente e que uma vez armazenadas, as amostras não se exponham à variação de temperatura e sejam mantidas constantemente a -196ºC em tanques de nitrogênio líquido.
Por isso deve-se evitar a retirada desnecessária das células-tronco congeladas e a abertura dos tanques de armazenamento.
No Brasil é comum utilização de tanques de acesso manual para o armazenamento de células-tronco do sangue do cordão umbilical. Esses tanques precisam ser abertos a cada nova amostra inserida. Essas amostras são acondicionadas em racks com capacidade para 24 unidades. Sempre que uma nova amostra é incluída ou retirada esse rack é exposto à temperatura ambiente, o que pode acontecer 24 vezes ou mais.
A variação brusca de temperatura pode prejudicar a viabilidade das células-tronco, principalmente se consideramos a particularidade deste material que precisa e deve ser armazenado e por toda a vida.
Como é realizado o procedimento?
A coleta é realizada logo após o nascimento do bebê. É um processo simples, rápido, absolutamente indolor para mãe e para o filho.
O cordão umbilical é clampeado e cortado, de acordo com o procedimento normal de qualquer parto. A punção inicial é realizada, geralmente pelo próprio obstetra, ainda dentro do útero e o sangue flui por gravidade para uma bolsa contendo anticoagulante.
A placenta e o cordão são retirados do útero e então colocadas em um suporte de sustentação, quando é realizada a segunda punção da veia do cordão umbilical. É comum que esse procedimento seja realizado pela enfermeira do banco de sangue onde o material será armazenado.
Após a coleta o material é transportado até o banco de sangue do cordão umbilical onde será armazenado. O prazo máximo para processamento e armazenamento da amostra é de 48h. Isso garante que a coleta possa ser realizada em qualquer lugar do Brasil, apesar de os grandes bancos estarem centralizados em São Paulo e Rio de Janeiro.
Todo o sangue do cordão umbilical coletado é processado com o objetivo de separar e concentrar todas as células-tronco provenientes desse sangue no volume adequado à bolsa de sangue onde será criopreservado.
As células-tronco do bebê poderão ser utilizadas para tratar outros membros da família?
Sim, para tanto é necessário indicação médica, uma autorização específica da ANVISA ou, se for o caso, judicial.
As células-tronco do sangue do cordão umbilical possuem grandes possibilidades de compatibilidade com membros da família e menores chances de rejeição (doença de enxerto contra hospedeiro).
Que razões levam os pais a coletarem o sangue do cordão de seus filhos?
A maioria dos pais decide guardar as células-tronco do sangue do cordão de seus bebês porque se um dia houver necessidade, esse material estará à disposição de imediato.
Algumas famílias optam pela coleta do sangue por terem histórico de doenças que são tratáveis com células-tronco.
O importante é que quanto mais informações os pais têm sobre o uso terapêutico de células-tronco em um número cada vez maior de doenças, mais convencidas se tornam de que esse é o maior presente que um bebê pode receber.
Bebês prematuros podem ter o sangue do cordão coletado?
A princípio não há problema, entretanto a legislação em vigor somente permite a coleta a partir da 32ª semana de gestação. Porém, a decisão final cabe ao médico.
Lista de doenças atualmente tratáveis com células-tronco do Cordão Umbilical
Oncologia
•Leucemia linfóide aguda
•Leucemia mielóide aguda
•Linfoma de Burkitt
•Leucemia mielóide crônica
•Leucemia mielomonocítica
•Síndrome mielodisplásica
•Neuroblastoma
•Linfoma não Hodgkin
•Linfoma de Hodgkin
•Leucemia mielóide crônica juvenil
•Sarcoma de Ewing
Síndromes de falência da medula óssea
•Anemia aplástica severa
•Anemia de Blackfan-Diamond
•Disqueratose congênita
•Anemia de Fanconi
•Trombocitopenia amegacariocítica
•Síndrome de Kostmann
Hemoglobinopatias
•Anemia falciforme
•B-talassemia (Anemia de Cooley)
Doenças do metabolismo
•Adrenoleucodistrofia
•Doença de Batten
•Doença de Gunther
•Síndrome de Hurler
•Doença de Krabbe
•Doença de Lesh-Nyhan
•Síndrome de Maroteaux-Lamy
Imunodeficiências
•Imunodeficiência combinada severa
•Síndrome de Omenn
•Displasia reticular
•Síndrome de Wiskott-Aldrich
•Doença linfoproliferativa ligada ao X
•Deficiência de adesão de leucócitos
Outras doenças
•Síndrome de Evans
•Linfohistiocitose familiar
•Osteopetrose
Informações cedidas por:
Clecia Simões
Diretora de Marketing CordVida

