Durante: Orientações Bucais na Gravidez

dentes
PERGUNTAS E RESPOSTAS POR DRA. ELLEN FAGNANI

A SAÚDE BUCAL PODE AFETAR A GRAVIDEZ?
Há cada vez mais evidências sugerindo a existência de uma relação entre as enfermidades gengivais e os nascimentos prematuros, e de bebês que nascem com peso abaixo do normal. As gestantes portadoras de enfermidades gengivais têm maior propensão a dar à luz a bebês prematuros e abaixo do peso normal.

Outros estudos devem ainda ser feitos para que se estabeleça de que maneira as enfermidades gengivais afetam a gestação. Parece que essas doenças aumentam os níveis dos fluidos biológicos que estimulam o trabalho de parto. Os dados também sugerem que quando uma enfermidade gengival piora durante a gravidez, o risco de o bebê nascer prematuro aumenta.

O melhor conselho que se pode dar a uma mulher que está pensando em engravidar é ir ao dentista e resolver todos os problemas bucais, antes de ficar grávida.
Durante a gestação, seus dentes e gengivas precisam de cuidados especiais. Uma higiene bucal adequada, o uso diário do fio dental, uma alimentação equilibrada e visitas periódicas ao dentista são medidas que ajudam a reduzir os problemas dentários que acompanham a gestação.

O seu dentista deve ser informado sobre sua gravidez, tão logo quanto você suponha estar grávida, pois pode não ser seguro fazer exames de raios-X durante a gravidez. Você também deve informar seu dentista sobre sua intenção de engravidar, pois diante disso, ele pode planejar os exames de raios-X ou outros tratamentos. Informe seu dentista sobre outros medicamentos que esteja tomando e se seu médico lhe deu algum conselho médico específico, já que isso pode afetar o tratamento dado.

A gestação é uma época especial para que você mantenha os cuidados com sua saúde bucal, não apenas por você, mas também para que seu filho desenvolva uma dentição perfeita e saudável. As estruturas bucais do bebê iniciam sua formação já nas primeiras semanas de vida no útero materno.

QUE PROBLEMAS ORAIS PODEM OCORRER DURANTE A GRAVIDEZ?
Os estudos revelam que um grande número de mulheres tem gengivite durante a gravidez, com acúmulo de placa bacteriana que se deposita nos dentes irritando a gengiva

Mantendo seus dentes sempre limpos, especialmente na região do colo dentário, área em que a gengiva e os dentes se encontram, você pode reduzir significativamente ou até evitar a gengivite durante a gravidez. E, além disso, você pode ajudar ainda mais a saúde de seus dentes, substituindo os doces por alimentos integrais tais como queijo, verduras e frutas frescas.

A gravidez não é responsável pela perda de dentes. Na maioria dessas ocorrências, o fator determinante está relacionado com a higiene bucal inadequada e hábitos alimentares prejudiciais.

A gravidez causa flutuações hormonais que aumentam o risco de gengivite. Os níveis hormonais que se alteram no seu corpo podem tornar sua gengiva mais sensível à prejudicial placa - um filme viscoso e incolor de bactérias que se forma constantemente sobre os dentes. Além disso, se você já apresenta sinais de doença gengival, a gravidez poderá piorar o quadro. Por esse motivo é essencial dar mais atenção à sua rotina de escovação diária e uso de fio dental, a fim de manter a placa sob controle. Se ignorada, a gengivite pode progredir para uma forma mais grave de doença gengival, denominada periodontite, na qual a gengiva e os ossos que sustentam seus dentes e os mantêm no lugar são permanentemente danificados.

Durante a gravidez, devido ao estado transitório de imunodepressão, o aumento dos níveis dos hormônios estrógeno e progesterona, alterações no metabolismo tecidual do periodonto, modificação da microbiota presente na cavidade oral e à tendência para relaxar com cuidados bucais, inclusive a higienização bucal, alterações nas características da gengiva são apresentadas, como: inchaço, sangramento, coceira ou aumento de tamanho. Estas mudanças desaparecem alguns meses após o parto desde que os irritantes locais sejam eliminados.

De acordo com pesquisas, a prevalência da gengivite na gravidez varia de 35 a 100 %. Isso é atribuído aos níveis circulatórios aumentados da progesterona e seus efeitos sobre os vasos capilares, contribuindo para uma resposta exagerada à placa bacteriana durante a gravidez. A influência dos hormônios gestacionais sobre o sistema imune também pode contribuir com a iniciação e a progressão da gengivite na gravidez.

A mulher grávida precisa ser orientada a respeito das conseqüências da gravidez sobre os tecidos gengivais e motivada por meio de avaliação do controle de placa, com tratamento profissional conforme a necessidade. Elas provavelmente sentirão maior conforto em receber tratamento dentário durante o segundo trimestre da gestação, embora os procedimentos de emergência sejam permitidos durante qualquer estágio da gravidez. Como a maioria dos medicamentos atravessa a barreira placentária e a organogênese ocorre principalmente no primeiro trimestre, a mulher grávida é mais bem tratada no segundo trimestre, para evitar que ocorram defeitos no desenvolvimento. Qualquer forma de medicação durante a gravidez deve ser usada apenas se a gravidade da condição que está sendo tratada é mais importante do que as consequências, mas qualquer medicação deve ser administrada apenas após consulta ao médico obstetra da paciente.

Existem alguns mitos sobre a saúde bucal na gestação. O principal deles é que a gravidez aumenta o número de lesões de cárie e problemas na gengiva. Isso não será verdade se você mantiver alguns cuidados básicos, como uma alimentação equilibrada, boa higiene bucal e receber cuidados profissionais periódicos. Tais medidas são o fundamento de uma boa saúde bucal para você e para o bebê.

Geralmente o aumento do número de lesões de cárie e o sangramento da gengiva estão relacionados à alterações na dieta, com maior consumo de guloseimas, e a presença de placa bacteriana, pela limpeza inadequada dos dentes e da gengiva nessa época. Apesar de haver algumas modificações no tecido gengival, em função das alterações hormonais, isso só interferirá se já existirem problemas gengivais prévios à gestação.

A literatura mostra que a incidência de cáries em mulheres grávidas é a mesma que em mulheres não grávidas e o cuidados são os mesmos: escovação, uso do fio dental, visitas ao dentista, limpeza profissional e aplicações de flúor.

A gravidez não é responsável pela perda de minerais dos dentes da mãe para formar as estruturas calcificadas do bebê. Já está comprovado que os dentes não participam do metabolismo sistêmico do cálcio. O cálcio provém da sua alimentação e, quando esta for inadequada, virá de estruturas nos seus ossos.

É importante que a futura mãe tenha uma dieta equilibrada, rica em vitaminas (especialmente A,C,D), minerais(cálcio e fosfato) e proteínas, já que os dentes de seu bebê estão em formação.

DEVO FAZER ACOMPANHAMENTO ODONTOLÓGICO DURANTE A GRAVIDEZ?
O acompanhamento odontológico da gestante tem como objetivo manter ou resgatar sua saúde bucal, além de fornecer informações a respeito da saúde e desenvolvimento do seu bebê. A necessidade que as mulheres grávidas disponham de um serviço odontológico adequado durante o pré-natal é importante e deve ser promovida, pois este é o momento mais oportuno para se fazer educação em saúde e prevenção de condições desfavoráveis. Dá-se a possibilidade da mãe ter uma gestação tranqüila e de ter filhos saudáveis. Muitas vezes não é dada essa opção à mãe, porque ela simplesmente desconhece que existe uma postura de Promoção de Saúde e que ela é determinante neste processo.

A gestante pode receber tratamento odontológico em qualquer época da gestação, embora o segundo trimestre (3 à 6 meses) seja o momento ideal, pois nessa fase você se encontra num período de maior estabilidade. As radiografias devem ser evitadas nos três primeiros meses.

Estudos têm mostrado que respeitando o uso do avental e colar de chumbo, a quantidade de radiação nas gônadas é tão insignificante que não permite qualquer tipo de mensuração.

Portanto, se realmente necessário, os raios X pode ser realizado, preferencialmente no 2º e 3 º trimestre de gestação. Quanto aos anestésicos, o dentista ou seu médico irá determinar qual o mais indicado.

Visite regularmente o dentista para que ele possa fazer o diagnóstico precoce de qualquer problema e orientá-la quanto aos procedimentos preventivos. Os cuidados que você tiver agora não devem parar quando seu bebê nascer. Lembre-se que os hábitos que você adquirir serão passados para seu filho.

Por volta do sétimo mês de gestação, procure orientar-se com o odontopediatra sobre como cuidar da saúde bucal do bebê. Isso irá incluir orientações quanto à amamentação, higiene, erupção dos dentes, uso do flúor, emprego de chupetas e a primeira visita do bebê ao dentista.

Já é conhecida a importância do pré-natal na área médica, valorizando a gestação quanto aos cuidados da mãe e do bebê. Da mesma maneira, na Odontologia, a abordagem da criança a partir da gestação se tornou incontestável e aumentam as chances do bebê ter saúde bucal.

Este cuidado possibilita que a grávida tenha uma microbiota compatível com saúde, diminuindo as chances de transmissão vertical de microrganismos patogênicos da mãe para a criança. A maior dificuldade do pré-natal odontológico advém das crenças negativas que decorrem da associação entre a gravidez e visita ao cirurgião-dentista, sendo a principal causa o medo de que o tratamento odontológico possa ser perigoso ou prejudicial ao feto. Isto não é verdade, e é exatamente por estar grávida que a mulher precisa dos cuidados do dentista.

O QUE POSSO ESPERAR DE UMA CONSULTA COM O DENTISTA DURANTE MEU PERÍODO DE GRAVIDEZ?
Em primeiro lugar, não deixe de informar o dentista que você está grávida. É melhor marcar uma consulta entre o quarto e sexto mês de gravidez, porque os três primeiros meses são os mais importantes no desenvolvimento da criança. No último trimestre da gravidez, o estresse associado com a consulta ao dentista pode aumentar a incidência de complicações pré-natais.

Na maior parte dos casos, radiografias, anestésicos dentais, medicação contra a dor e antibióticos (especialmente a tetraciclina) não são receitados durante o primeiro trimestre da gravidez, a não ser que sejam absolutamente necessários. Além disso, sentar-se em uma cadeira de dentista nos últimos três meses da gestação pode ser algo muito desconfortável. Há também evidências de que as gestantes podem ser mais suscetíveis à náusea. Mas, não se preocupe, pois seu dentista está preparado para ajudá-la nesta situação.

Se precisar fazer uma consulta de emergência, informe a respeito de qualquer tensão que estiver sofrendo, abortos naturais anteriores e medicamentos que esteja tomando. Tudo isso pode influenciar a forma pela qual seu dentista vai atendê-la e tratá-la. É bem provável que seu dentista entre em contato com seu médico, antes de iniciar qualquer tratamento.

Se tiver qualquer dúvida, insista para que seu dentista fale com seu médico. E se o dentista prescrever qualquer medicamento, não aumente a dosagem recomendada, mesmo no caso de uma simples aspirina.

Os riscos durante o tratamento odontológico são menores que os riscos que os problemas bucais podem causar à mãe e ao bebê. Antes de tudo, a gestante precisa ter saúde. O nível de saúde da mãe tem relação com a saúde bucal das crianças.

O dentista ainda deve incluir informações a respeito do futuro bebê: amamentação natural x artificial, época e alimentos no desmame, morfologia da cavidade bucal do bebê e importância dos dentes decíduos / leite, higienização antes e depois da erupção dos primeiros dentes, meios de transmissibilidade das doenças bucais, conseqüências da sucção não-nutritiva (dedo, chupetas e mamadeiras) e o momento da primeira visita ao dentista.

QUE CUIDADOS COM A HIGIENIZAÇÃO ORAL DEVO TOMAR DURANTE A GRAVIDEZ?
Os cuidados são os mesmos de uma mulher não grávida: limpeza diária dos dentes com uso adequado da escova e fio dental.

A qualidade dessa limpeza é mais importante do que a freqüência. Se houver algum ponto da gengiva com sangramento, essa região deverá ser limpa com mais atenção. Se após 3 dias a gengiva continuar sangrando, a gestante deve procurar a ajuda de um dentista.

Segue abaixo uma lista para que você mantenha seus dentes e gengivas adequadamente limpas:

1- Escove corretamente, pelo menos duas vezes ao dia, de preferência pela manhã e antes de dormir.

2- Use uma escova de dente de boa qualidade e com cerdas macias.

3- Não se importe com o tempo. Você deve escovar seus dentes em, pelo menos, dois minutos, a fim de remover a placa que está constantemente formando sobre os seus dentes. Limpe todos os lados dos dentes.

4- Use pasta de dentes contendo flúor. O flúor comprovadamente ajuda na prevenção de cáries.

5-Limpe os espaços interdentais diariamente. Use fio dental ou outros limpadores interdentais para remover a placa das áreas em que sua escova não pode alcançar

6-Faça uma dieta balanceada, isso é especialmente bom para o desenvolvimento dos dentes e dos ossos.

7- Evite lanches açucarados freqüentes.

8- Visite seu dentista para que realizem exames regulares.

FLÚOR NA GRAVIDEZ?
Antigamente acreditava-se que o flúor administrado sistemicamente tivesse uma ação contra as cáries devido a sua incorporação ao esmalte durante o processo de formação do dente.

Embora o flúor continue sendo utilizado no controle e prevenção da cárie dentária, atualmente sua ação é atribuída ao seu efeito local no período pós-eruptivo dos dentes, sendo que a sua presença local favorece a remineralização no processo de desmineralização / remineralização do esmalte. Possui também ação antibacteriana. Nesta linha, o flúor sistêmico teria um efeito local ao passar pela cavidade bucal antes de sua ingestão e, após ser absorvido pelo trato gastrointestinal, ao ser secretado na saliva.

O uso sistêmico do flúor na água de abastecimento público é o método mais usado na saúde pública, principalmente em lugares onde a assistência à saúde bucal é deficiente. Este benefício é decorrente da exposição freqüente e de baixa concentração do flúor produzindo seu efeito cariostático. Na ausência do flúor na água de abastecimento, recomenda-se a suplementação de flúor na forma de medicamentos.

Atualmente a maioria dos autores não recomenda a suplementação de flúor na gestação, pois não há evidências de que ocorra qualquer benefício aos dentes do feto quando se consideram apenas os estudos metodologicamente adequados.

A suplementação de flúor não é recomendada, como se preconizava antigamente, antes da erupção dos dentes. Além disso, o seu uso não é recomendável nas cidades e comunidades em que a água é fluoretada.

As mães exercem um importante papel no estabelecimento dos padrões de higiene oral de suas crianças e são a principal fonte de transmissão de microorganismos cariogênicos.

A cárie dentária é uma doença bacteriana transmitida de mãe para filho. A prevenção primária da cárie precoce na infância deve começar no período pré-natal e deverá ser endereçado à saúde tanto da mãe quanto da criança.

Pelo fato da valorização à saúde bucal ser transmitida da mãe para o filho, é importante que a conscientização disto seja feita desde o pré-natal, fase na qual as mães estão altamente receptivas para novos conhecimentos. Tais atitudes preparariam o ambiente em que a criança
vai se desenvolver de forma adequada com relação à possibilidade de prevenção à cárie.

Pelo fato de a transmissão dos microorganismos cariogênicos ocorrer através do contato físico direto, os pais devem evitar contatos salivares com o bebê, como beijos na boca ou nas mãos, uso do mesmo talher e provar ou assoprar os alimentos.

O fator que mais influencia as atitudes preventivas na criança são a prática diária da mãe em relação à saúde bucal. Os hábitos adquiridos pelas crianças para a promoção de saúde se estabelecem através da observação das práticas de prevenção da mãe.

Texto elaborado por:
Dra. Ellen Fagnani
Cirurgiã Dentista formada pela Puccamp em 1999.
Aperfeiçoamento em Odontologia Estética.
Mestre e Especialista em Periodontia.

Consultório:
R. Santos Dumont, 384 – Cambuí- Campinas
F.: 3254-1084 / 9731-8078
Email: ellenfagnani@hotmail.com

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